ODS 6: como levar água e saneamento para todos até 2030?
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Saneamento, sociedade e meio ambiente
A ocorrência de incêndios florestais na Amazônia é comum na temporada de seca, que se estende de julho até outubro no Brasil. No entanto, alguns dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o país foi alvo de um aumento devastador no número de focos de incêndio em 2019 (com um aumento de 83% com relação ao mesmo período do ano anterior), levantando a suspeita de que incêndios criminosos também contribuíram para o aumento da devastação.
Apesar de os estados de Roraima, Acre, Rondônia e Amazonas terem sido os mais afetados, as consequências do desmatamento atingem todas as partes do país. O fenômeno que escureceu o céu de São Paulo durante o dia é um exemplo de como nenhuma área está totalmente isolada ou imune ao desequilíbrio ambiental. Você sabe os impactos que a destruição da Amazônia pode causar para o Brasil e para o mundo?
Neste post, você vai ter acesso a um breve panorama sobre o nosso cenário ambiental e entender por que a preservação da Amazônia é crucial para o equilíbrio de todo o Brasil. Confira!
As análises baseadas na observação da floresta amazônica (feita por satélites da NASA) confirmaram um aumento na intensidade do desmatamento em 2019, destacando o mês de agosto como um dos mais notáveis no número de incêndios intensos e persistentes. Além disso, a localização e os momentos em que essas queimadas ocorreram foram mais consistentes com a limpeza de terras do que com a seca regional.
Segundo dados de uma pesquisa feita pelo Banco Mundial, se o atual patamar de mudanças climáticas e incêndios for mantido, cerca de 75% da floresta amazônica estará perdida até 2025. A previsão é ainda mais pessimista para um cenário projetado em 65 anos, quando apenas 5% do bioma seria mantido em seu terreno original.
Além da sua importância econômica (tanto para o Brasil quanto para o exterior), é necessário levar em conta todo o capital natural que a Amazônia abriga em mais de 5 milhões de quilômetros quadrados de floresta. Já que grande parte da água doce brasileira está armazenada por lá (sendo fundamental também para a produção de energia elétrica), é inegável a sua influência na manutenção humana e ambiental.
As consequências da falta de preservação podem ser devastadoras, impactando a qualidade do solo, a vegetação e a fauna da Amazônia, causando até mesmo efeitos com alcance global.
As florestas tropicais armazenam carbono e são as principais fontes de estabilização do clima em todo o mundo. No entanto, o desmatamento e a extração de madeira liberam esses gases para a atmosfera, poluindo o ar e contribuindo para o desequilíbrio da temperatura. Com as queimadas na região amazônica, as árvores liberam em torno de 200 milhões de toneladas de carbono por ano.
É por esse motivo que o plantio de árvores é uma estratégia para reduzir a emissão de poluentes na atmosfera. Em 2015, o Governo Federal assinou um compromisso nos Estados Unidos de recuperar 120 mil quilômetros de florestas e zerar o desmatamento ilegal até 2030. O objetivo era cumprir as metas de redução de emissões de carbono, conforme estabelecido em um acordo internacional.
Você sabia que a área amazônica é responsável por gerar e disseminar grandes quantidades de água para todo o país? O vapor gerado pela evapotranspiração é responsável por levar umidade e distribuir chuvas pela Bolívia, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile, além de irrigar o Sudeste, o Centro-Oeste e o Sul do Brasil.
O desmatamento prejudica a evapotranspiração e a rota aérea da água, afetando o regime de chuvas em todo o país, com impactos em diferentes setores produtivos.
Com o regime de chuvas desequilibrado, ela pode deixar de encher rios, córregos, represas (inclusive as que são importantes para as hidrelétricas) e irrigar lavouras. Safras inteiras podem ser perdidas com o atraso das chuvas em uma semana, por exemplo.
É por isso que, ao contrário do que possa parecer, a preservação da Amazônia é crucial para a manutenção do agronegócio no Brasil. Isso não inclui apenas a produção de alimentos, mas também de energia elétrica.
O Rio Amazonas é um dos mais extensos do mundo, levando cerca de um quinto de todo o volume de água doce aos oceanos. Além disso, as florestas também promovem o reabastecimento dos lençóis freáticos. Por isso, não é difícil concluir que a degradação ambiental compromete a disponibilidade de água doce. Afinal, a falta de preservação desequilibra o volume de chuvas, reduz o nível de água em rios e seca nascentes.
Todos esses fatores combinados influenciam diretamente o aumento de gases causadores do efeito estufa na atmosfera, contribuindo para o agravamento das mudanças climáticas e do aquecimento global.
Os impactos do desmatamento têm um potencial enorme de prejudicar diretamente o agronegócio brasileiro. Como vimos, diversos fatores ambientais exercem grande influência sobre a atividade agrícola, especialmente o regime de chuvas, cuja manutenção está ligada à preservação da Amazônia.
Atualmente, o agronegócio é responsável por 21,6% do PIB do país, segundo o Ministério da Agricultura. No entanto, as mudanças climáticas, puxadas pela devastação da floresta, têm afetado negativamente o setor. Em 2019, por exemplo, a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) mostrou a perda de mais de 16 milhões de toneladas na safra do grão, em função da seca que atingiu as principais regiões produtoras.
Além disso, a manutenção da diversidade da Amazônia também é importante para a boa oferta de “produtos da floresta”, ou seja: para a fabricação de medicamentos, óleos, cosméticos e alimentos. Alguns deles são comercializados em todo o país e exportados para o mundo, como o açaí, jaborandi, couro vegetal, castanhas, fitoterápicos, resinas e artesanatos indígenas. Isso porque mais de dez mil espécies de plantas amazônicas são ricas em ativos para uso medicinal e cosmético.
É papel dos governos, em todas as suas esferas, coibir a degradação não só da Amazônia, mas também da Mata Atlântica, do Pantanal e de todos os outros biomas do nosso país. No entanto, embora ninguém consiga promover grandes mudanças sozinho, algumas atitudes simples podem fazer a diferença na preservação da floresta amazônica. Abaixo, listamos algumas medidas para você colocar em prática na sua rotina:
Você pode ajudar reduzindo o consumo de itens descartáveis (como guardanapos, papéis, pratos e canudos), digitalizando documentos e fazendo a reciclagem de produtos usados. Ao comprar móveis e itens de construção, dê preferência para as empresas que trabalham apenas com madeira de reflorestamento.
Reduzir o consumo de carne reduzirá a demanda por ela, acabando com os incentivos para derrubar mais florestas destinadas à criação de gado. De acordo com uma série de relatórios publicados pelo Greenpeace, a pecuária faz parte dos principais fatores de devastação ilegal na Amazônia, ocupando 80% das áreas desmatadas.
Eduque-se e apoie petições ou projetos que cuidam das comunidades afetadas pelo fogo e de preservação da floresta. Quanto maior o número de vozes, maior tende a ser a pressão feita ao poder público e privado para que tomem consciência da prioridade que a preservação da Amazônia deve ter para o desenvolvimento do país, tanto no campo ambiental, quanto nos campos econômico e social.
Como você pôde perceber, preservar a Amazônia é preservar a qualidade de vida de todos os seres vivos, com impactos para boa parte do planeta. Você também pode se engajar e fazer a sua parte para reverter esse cenário tão crítico para a biodiversidade brasileira.
Se você gostou do post e quer aprender um pouco mais sobre sustentabilidade, leia o nosso artigo sobre saneamento básico e meio ambiente.
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