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Saneamento, sociedade e meio ambiente
O desenvolvimento urbano sustentável surge como mais um desafio a ser atravessado para que nossa sociedade possa prosperar em harmonia com o meio ambiente e não sofra as consequências que o crescimento sem planejamento traz.
De todo modo, por mais que a importância desse planejamento seja sempre exaltada, muitas vezes, é difícil entender o que pode ser feito para garantir que as cidades se desenvolvam de forma sustentável. Por isso, a tarefa deste texto é contribuir para essa missão tão importante, principalmente, destacando a relevância do acesso ao saneamento básico. Boa leitura!
Por boa parte da existência humana, os habitantes do planeta viveram em grupos esparsos, longe daquilo que conhecemos hoje como cidades e centros urbanos. Com o passar do tempo e o desenvolvimento de novas técnicas (a agricultura, por exemplo), esses grupos passaram a se estabelecer em um único local.
Nos últimos séculos, a urbanização da população do planeta se tornou mais intensa, principalmente com a Revolução Industrial, que ocorreu a partir de meados do século XVIII. Ela fez com que uma grande massa de pessoas passasse a morar em torno das fábricas, o que consolidou diversos núcleos urbanos, ainda que de forma precária.
No início do século XXI, cerca de 55% da população mundial já vivia em cidades. A expectativa é que, até 2050,aproximadamente 68% das pessoas passe a viver em zonas urbanas, de acordo com projeções da ONU (Organização das Nações Unidas).
No Brasil, 85% da população já vive nas cidades, conforme indica o IBGE. O processo de saída da zona rural foi intenso, principalmente entre as décadas de 70 e 80, e hoje se reflete nesse número, que é ainda maior em algumas regiões do país. No sudeste, por exemplo, 93% da população já é urbana.
Outro dado impressionante envolve a concentração dessa população em um espaço muito pequeno do nosso país: mais de 80% da população urbana mora em uma área menor do que 1% do território do Brasil, como mostra um estudo feito pela Embrapa.
O crescimento das cidades deu a uma parte da população uma série de serviços que contribuem para a elevação da qualidade de vida, como acesso mais facilitado à educação, a serviços de saúde e infraestruturas como energia, internet e saneamento básico. De todo modo, essa distribuição ainda é muito desigual e ocorreu com uma série de impactos ambientais.
O crescimento desordenado de uma cidade compromete bastante a sustentabilidade das áreas urbanas, o que se reflete de diversas formas, indo do esgotamento precoce de recursos naturais (como a água) até o agravamento de problemas sociais e de saúde, tanto agora quanto no futuro.
Imagine, por exemplo, uma cidade de milhões de habitantes, sem um sistema de tratamento de esgoto e de coleta seletiva de lixo, com transporte público precário e sem um planejamento que direcione o crescimento da área urbana.
É bem provável que esse local sofra com a poluição de rios e lagos e com a qualidade baixa do ar, tendo que lidar com parte da sua população vivendo em moradias inadequadas, expostas a diversos riscos.
Por causa das graves consequências causadas pelo crescimento urbano desordenado, é importante que as cidades, independentemente do seu porte, adotem planejamentos que tenham como principal referência o desenvolvimento sustentável.
Os conceitos de desenvolvimento sustentável e sustentabilidade não são novos. Eles foram criados nos anos 70 e ganharam força a partir dos anos 90, principalmente com uma série de conferências organizadas pela ONU, em especial, a famosa RIO 92, que reuniu no Brasil diversos líderes mundiais para discutir o tema.
O desenvolvimento sustentável pode ser entendido como a capacidade de garantir as nossas necessidades atuais de consumo e sobrevivência sem que isso comprometa a existência das gerações futuras. Nesse sentido, é impossível separar o desenvolvimento urbano sustentável de sistemas eficientes de saneamento básico, tanto para garantir o abastecimento de água tratada com qualidade quanto para evitar os problemas causados pelo descarte inadequado do esgoto gerado por casas e indústrias.
No Brasil, o setor de saneamento enfrenta muitos desafios no caminho até a universalização do serviço. Os números mostram como a situação atual não é nada animadora, ainda que tenha melhorado nos últimos anos. Quando o assunto é esgoto tratado, apenas 55% dos brasileiros têm acesso ao serviço, o que deixa cerca de 100 milhões de brasileiros de fora, de acordo com o instituto Trata Brasil.
Além disso, entre as 100 maiores cidades do país, 36 delas têm menos de 60% da população com esgoto coletado e tratado, deixando-as longe do topo de qualquer ranking de saneamento. Os números relativos à água tratada são um pouco melhores, mas o contingente de excluídos também é considerável: 83% da população têm acesso a esse serviço, o que deixa de fora aproximadamente 35 milhões de brasileiros.
Para mudar esse cenário, é preciso investir em políticas de saneamento que funcionem e estejam inseridas no planejamento urbano sustentável das cidades. Desde 2007, vigora a Lei Nacional de Saneamento Básico. Em 2019, foi aprovado na Câmara dos Deputados o texto do novo marco do saneamento, que define diretrizes para o oferecimento do serviço e facilita a elaboração de parcerias entre o setor público e a iniciativa privada para expandir o acesso à água e ao esgotamento sanitário.
Para fazer a sua parte e contribuir com cidades melhores para as próximas gerações, basta fazer algumas escolhas no seu dia a dia que vão beneficiar tanto a rotina da sua família quanto de sua comunidade.
Se sua rotina permitir, opte por deixar o carro na garagem. Dessa forma, você descobre novas formas de se locomover pelas cidade e ainda colabora para a melhoria da mobilidade urbana. Outros benefícios são a redução na poluição e a chance de se exercitar caso escolha por ir a pé ou de bicicleta!
Além de ajudar pequenos negócios, você fortalece a economia local e contribui para uma rede de consumo mais sustentável. Afinal, quanto menos etapas um produto passa no seu processo produção, menor é a emissão de poluição gerada na cadeia produtiva.
Aproveite as áreas verdes da sua cidade, seja só ou com a família. Seja um membro ativo na comunidade e atue, direta ou indiretamente, na manutenção e na preservação desses espaços. Que tal reunir um grupo de vizinhos e amigos para dividir as tarefas? Usar os parques para ensinar preservação ambiental para as crianças também é uma boa ideia.
Ao diminuir a nossa geração de lixo, contribuímos para a preservação do meio ambiente e evitamos a sobrecarga de aterros sanitários e lixões a céu aberto. Assim, separar o lixo conforme com o tipo de material e encaminhá-lo para cooperativas de reciclagem, ou ainda fazer a reutilização de itens, são ações que contribuem para o aumento da vida útil dos bens de consumo
Como vimos, além das nossas atitudes individuais, que são fundamentais para o processo de desenvolvimento urbano sustentável, a falta de saneamento básico compromete esses avanços, aumenta o impacto sobre o meio ambiente e prejudica bastante a qualidade de vida dos moradores, que se veem expostos a chances maiores de contrair doenças infecciosas.
Esses problemas de saúde afetam até mesmo o tempo que uma criança passa na escola, o que compromete seu aprendizado e prejudica sua educação formal, resultando em empregos piores no futuro.
Os serviços de saneamento básico estão interligados a qualquer iniciativa de desenvolvimento urbano sustentável. Por isso, é essencial que sua importância seja sempre destacada e que tal preocupação esteja presente no planejamento das cidades, permitindo que poder público e iniciativa privada (por meio de empresas capacitadas) consigam trabalhar juntos.
Quer conhecer uma iniciativa que tem tudo a ver com o desenvolvimento urbano sustentável? Então leia o nosso post e saiba tudo sobre o movimento Cittaslow e como ele torna a vida na cidade mais tranquila para todos.
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