Você sabe o que é o sistema público de esgotamento sanitário? Depois que o esgoto sai da sua casa, ele percorre um longo caminho para retornar limpo para a natureza. Por vezes, entretanto, o uso incorreto da rede por parte da população pode fazer com que o sistema tenha problemas e cause grandes transtornos. É importante que todos saibam como usar o sistema de esgotamento sanitário da melhor maneira, evitando o rompimento das redes e os extravasamentos.

Neste texto você vai entender o que é o esgotamento sanitário, quais são as etapas que o esgoto passa depois de sair da sua casa e quais são os impactos que a ausência do sistema podem causar na vida das pessoas e no meio ambiente.

Quer saber mais sobre o assunto? Entenda agora em detalhes. Boa leitura!

O que é esgotamento sanitário?

O sistema de esgotamento sanitário (SES) pode ser definido com um conjunto de instalações e obras e serviços para que a coleta, o transporte, o tratamento e a disposição final do esgoto possam ser proporcionados de forma adequada à comunidade.

Para que isso aconteça, as normas existentes devem ser entendidas e respeitadas. No caso brasileiro, elas são denominadas NBRs – e há diversas delas relativas ao esgotamento sanitário. A NBR 9648, por exemplo, normatiza o despejo líquido constituído de esgoto doméstico, industrial e pluvial.

O esgoto doméstico é aquele que vem das residências e dos estabelecimentos comerciais. São locais que têm banheiros, cozinhas e lavanderias, e o esgoto é composto essencialmente de excretas (urinas e fezes), água de banho, detergente, sabão e água de lavagem.

O sistema de esgotamento sanitário é pensado considerando a seguinte composição: 99,9% de água e apenas 0,1% de outros dejetos (sólidos). Em função disso, é preciso que a população fique atenta para o descarte adequado do lixo, que não deve nunca ser jogado em ralos e pias – e isso inclui restos de comida e óleo de cozinha.

O que acontece depois que o esgoto sai da sua casa?

As estações de tratamento de esgoto trabalham com princípios parecidos com o que acontece naturalmente nos rios. Os cursos d’água contam com bactérias que se alimentam da matéria orgânica poluidora, eliminando a sujeira da água. No entanto, quando o esgoto é despejado sem tratamento nas águas dos rios, as bactérias presentes são insuficientes para dar conta da carga de poluição, que acaba não sendo eliminada, prejudicando a fauna e a flora locais.

Desse modo, para que as impurezas do esgoto sejam reduzidas, é necessário que a água passe por várias etapas antes de ser devolvida aos rios.

1º passo

Para começar, são utilizadas barreiras capazes de impedir que a sujeira mais grosseira possa seguir no caminho, como grãos de terra, lixo e partículas maiores.

2º passo

Na fase chamada de desarenação, a terra e a areia misturadas na sujeira são retiradas. Por meio de um tubo que joga ar na água, a sujeira fica depositada no fundo. Isso também é importante para que os resíduos não estraguem os equipamentos nas próximas fases.

3º passo

Partículas menores dos dejetos são eliminadas na fase de decantação primária. Como são mais densas do que o líquido, elas tendem a ficar no fundo. Depois, uma pá empurra tudo para um tipo de ralo. Os dejetos, agora chamados de lodo, vão para outro setor, onde podem ser transformados em adubo ou usados para a geração de energia.

4º passo

A água que ainda está suja por partículas de matéria orgânica é encaminhada para o tanque de aeração. Nele, há inúmeras bactérias que se alimentam desse material. Há um tubo de microbolhas de ar que fazem com que os microrganismos se tornem mais rápidos, aumentando a velocidade do processo, que é considerado o mais importante do tratamento.

5º passo

Embora o líquido esteja quase limpo, há bactérias que ficam agrupadas no fundo do tanque. Nesse momento, começa a decantação secundária. Com a utilização novamente de uma pá giratória, esses micro-organismos são separados e enviados de volta ao tanque de aeração.

6º passo

Depois de ser tratado, o esgoto já pode voltar ao rio. O nível de eficiência pode chegar a 95%. Com a concentração de oxigênio presente, é possível até que os cursos d’água recebam uma força extra na limpeza que já ocorre naturalmente nesses ambientes.

7º passo

Ainda que a água resultante do tratamento de esgoto esteja mais limpa, ela ainda tem alguns organismos que podem transmitir doenças ou compostos químicos como fósforo. Para que ela se torne água de reúso e possa ser reutilizada para algumas funções, é preciso que ela passe por um tratamento avançado. Essa água pode servir para a irrigação e a utilização nas indústrias, por exemplo.

Quais são os impactos da ausência de sistema de esgotamento sanitário?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dólar que é aplicado em saneamento básico, economizam-se 4 dólares em gastos com saúde pública. No Brasil, 4 de 5 doenças poderiam ser evitadas se existisse um tratamento de esgoto adequado.

Dentre os problemas causados pelo esgoto sem tratamento e ausência de serviços de saneamento, ainda estão a manutenção das desigualdades sociais e as contaminações do meio ambiente, que prejudicam a água, o solo e a vida dos animais e da vegetação ao redor.

Como evitar o extravasamento de esgoto?

Quando há obstrução da rede coletora de esgoto, diversos prejuízos podem acometer a operação do sistema, causando danos ao meio ambiente e à população. Nesse caso, as pessoas têm papel fundamental para evitar que esse tipo de problema aconteça, já que o esgoto não é lixeira.

Algumas formas que as pessoas têm para evitar problemas nos sistemas são:

  • raspar os restos de alimento e colocar no lixo antes de lavar a louça;
  • descartar corretamente o óleo de cozinha;
  • retirar os fios de cabelo ao se pentear ou fazer a barba na pia;
  • retirar os fios de cabelo que estejam presos no ralo;
  • usar peneiras em todos os ralos.

Embora seja necessário que o poder público pense em formas para ampliar o acesso à coleta e ao tratamento de esgoto no Brasil para toda a população, é importante que as pessoas saibam que elas podem contribuir para o bom funcionamento do sistema. Com práticas simples, é possível reduzir a incidência de doenças e garantir a preservação do meio ambiente.

Você sabia que o investimento privado pode mudar o quadro do saneamento básico no país? Veja agora como isso já é uma realidade. Esperamos por você!