É realmente possível fazer a limpeza dos rios, despoluindo as águas completamente? Essa é uma pergunta que muitos se fazem. Sabe-se que a maior parte daquilo que chamamos de poluição dos rios vem dos lançamentos irregulares de esgoto e do descarte inadequado de resíduos sólidos. Portanto, a expansão do acesso aos serviços de infraestrutura, uma fiscalização constante e ações de educação ambiental nas comunidades podem reduzir consideravelmente tais impactos sobre os corpos hídricos.

Outros desafios que devem ser encarados para uma despoluição efetiva são o controle da poluição difusa e de processos erosivos, de maior ou de menor grau. Ambos os problemas têm impactos significativos sobre os rios e ainda carecem de medidas específicas, que passam pelo controle de inundações e alagamentos e preservação e reflorestamento de matas ciliares.

Quer saber mais sobre a despoluição dos rios e sobre as técnicas para conseguir bons resultados nesse processo? Então continue acompanhando o texto e confira! Boa leitura!

É possível despoluir um rio completamente?

A despoluição é realmente possível, de forma que 100% das impurezas dos rios sejam removidas? Bom, em grande parte, é possível despoluir os rios, sim. Em um rio há vários tipos de “impurezas”: as resultantes de ações antrópicas e as naturais. Se elencarmos as impurezas provenientes dos processos humanos, há uma série de tecnologias que reduz a níveis bastante toleráveis tais efeitos.

No entanto, o controle de alguns desses poluentes, como os particulados de pequena dimensão, ou alguns compostos químicos, tem custo bastante elevado. Sendo assim, o grau de investimento no processo de despoluição pode resultar em maior ou menor efetividade. Quanto às impurezas de origem natural, elas fazem parte do ciclo hidrológico.

Quais são as principais técnicas para despoluir os rios e como elas funcionam?

Observando os ambientes urbanos e sua estrutura, um ciclo do saneamento que funcione com qualidade e eficiência seria capaz de despoluir as águas dos rios. Isso significa coletar, afastar e tratar os esgotos, garantir o bom funcionamento das redes de drenagem pluvial e realizar a destinação correta de rejeitos e resíduos. No entanto, ainda que tais medidas sejam determinantes para que os rios voltem a ter a possibilidade de correrem vivos, úteis e sadios, essa ainda é uma realidade muito distante no Brasil. Mas há algumas técnicas avançadas para despoluir os rios. Confira quais são elas e veja como funcionam a seguir!

Flotação

A técnica da flotação, patenteada por um brasileiro, pode ser utilizada em rios menores. Essa técnica faz a separação físico-química da sujeira a partir de substâncias despejadas na água, como polieletrólito e sulfato de alumínio.

Essas substâncias têm efeito coagulante, fazendo com que as partículas sólidas flutuem. Um equipamento injeta oxigênio no fundo do rio para que os fragmentos não afundem. Desidrata-se parte do lodo, que é devolvido à natureza.

Dragagem

Já essa técnica, diferentemente da flotação, pode ser aplicada em rios maiores. Ela funciona da seguinte forma: uma embarcação equipada com bombas de sucção faz a retirada de camadas de sujeita, acabando com as “placas” que ficam depositadas no fundo do rio.

O material, então, é recolhido e transportado, por meio de tubulações, para um aterro localizado próximo à margem.

Gradeamento

Essa é uma técnica utilizada tanto em rios quanto em estações de tratamento. Nela, grades de metal são inseridas na parte rasa do rio, retendo materiais grosseiros, como os papéis, as garrafas plásticas e os pedaços de vidro que são levados com a chuva.

As grades, com um interceptor, abrem e fecham conforme as características físicas dos objetos que precisam ser encarcerados. Depois, o material é jogado em uma caçamba de lixo.

Técnicas nucleares

As técnicas nucleares são usadas em reservatórios e lagoas. Como é feito o processo? Bom, um radioisótopo pode ser utilizado para fazer o mapeamento do trajeto e da quantidade de poluentes presentes na terra e na água.

A radiação que é emitida pelo átomo radioativo acaba penetrando nos materiais, tornando-os facilmente detectáveis por dispositivos especiais, mesmo em números bem pequenos.

Técnicas ecológicas

Esse tratamento de água ecológico é de fácil implantação em canais, rios e lagos que estão contaminados. Essa técnica processa a recuperação e também transforma todo o entorno do curso, comunidade e meio físico.

O sistema consiste na instalação de jardins que flutuam, ou seja, ilhas artificiais de 110 m², que são cobertas por plantas aquáticas que filtram os poluentes sem o uso de produtos químicos. O custo da despoluição a partir dessa técnica é menor que a metade do custo com estações de tratamento de águas residuais tradicionais, graças à ativação e integração do ambiente fluvial circundante.

Como acontece o processo de despoluição do rio Tietê?

A despoluição do rio Tietê foi iniciada na década de 1990, e já se encontra na sua quarta fase. Quanto às ações de despoluição desse rio, essas são inúmeras. O Tietê, por ser o maior rio do estado, banha 62 municípios e recebe água de umas dezenas mais. Por isso, quando percebemos a dimensão da sua bacia hidrográfica, ações devem ser feitas nesses locais também.

Ao observar os municípios, percebe-se que muitos contam com ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto), que já aliviam uma potencial carga poluidora. Em vários trechos do Rio, é possível afirmar que a vida voltou.

Desde a década de 90, houve uma mobilização em prol do Rio Tietê. Ela se mantém até hoje, e, além das ETEs, tem trazido outros olhares e políticas visando minimizar os impactos aos rios.

Importante destacar que não é apenas o esgoto doméstico o “vilão” da degradação. Processos industriais, regiões de monoculturas e mudanças no uso do solo incompatível, também significam alto risco para a degradação dos corpos d’água que formam o Tietê.

Algumas práticas de fiscalização e de estímulos à educação das populações ribeirinhas também têm sido feitas e isso contribui muito localmente. Estamos no caminho, e é bem provável que novos trechos do Rio Tietê voltarão a ter usos de lazer, recreação e subsistência no futuro.

O que ocorre após a limpeza dos rios?

Após a limpeza ou a despoluição do rio, é preciso que haja ações preventivas para que a limpeza seja mantida. É fato que a despoluição começa em cada cidadão, ou seja, está totalmente ligada à educação de que cada um. Não estamos falando aqui sobre a educação ambiental apenas, mas sobre educação cidadã como um todo.

Ao entender a finitude dos recursos e o grau de dependência do funcionamento pleno dos ciclos naturais, as pessoas vão se sentir mais interessadas em fazer a sua parte, em monitorar as políticas públicas e em denunciar ações em desconformidade. Tal grau de percepção e de envolvimento existe em poucas partes do mundo, infelizmente.

A sociedade está mais atenta em relação à economia do que à ecologia, ou seja, ainda não entendemos que temos apenas uma casa para morar e não temos cuidado dela. Se cerca de 70% do nosso corpo é água, e se não vivemos mais do que três dias sem consumi-la, como podemos ficar apenas assistindo a sua degradação?

É necessário e extremamente urgente o envolvimento de todos em prol da preservação da água, afinal, quem preserva, tem! Enfim, como você pôde ver, é possível fazer a limpeza dos rios, mesmo que o processo de despoluição demore muito tempo. No entanto, é fundamental que todos se conscientizem sobre a importância da preservação desse bem tão valioso, uma vez que a despoluição só vai ser eficaz depois da mudança de atitude dos cidadãos, dos governantes e das empresas diante desse importante recurso natural.

Gostou do texto e quer continuar aprendendo com os nossos conteúdos? Aproveite a sua visita em nosso blog para ler também o texto “Quais são os principais prejuízos do descarte de lixo nos rios?”!

Entrevistado: Cesar Pegoraro, Mobilizador do Programa Observando os Rios da Fundação SOS Mata Atlântica.