A poluição dos recursos hídricos, além de prejudicar o equilíbrio ecológico dos ecossistemas, interfere diretamente na qualidade da água disponível para o consumo humano.

Diante da relevância desse assunto, é comum a mídia veicular conteúdos relacionados à avaliação da água distribuída para a população, que deve ser apropriada para a ingestão e para a utilização em atividades domésticas e de recreação.

Quer saber um pouco mais sobre o tratamento e a qualidade da água que consumimos? Então, não deixe de ler este artigo!

O que é qualidade da água?

Por intuição, achamos que a água boa para o consumo deve ser cristalina, sem gosto e sem odor. Entretanto, somente essas características não garantem a boa qualidade desse líquido tão precioso para a vida.

Contaminações por vírus, bactérias e substâncias tóxicas microscópicas são imperceptíveis a olho nu e podem prejudicar a nossa saúde. Por isso, além de não ter sabor, cheiro e cor, as águas consumíveis devem estar enquadradas em parâmetros mais específicos de qualidade, que são determinados pelo Ministério da Saúde.

A seguir, vamos conhecer algumas leis importantes que regulamentam o monitoramento das águas bruta e tratada no Brasil.

Qualidade da água bruta

A água bruta encontra-se na natureza e ainda não passou por processo de tratamento. São as águas que correm nos rios, ribeirões e córregos, por exemplo. Em relação a esses recursos hídricos naturais, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) apresenta três resoluções de destaque.

  • Resolução nº 357: trata da classificação e dos critérios ambientais para o enquadramento dos corpos de água superficiais, além de estabelecer condições e padrões de lançamento de efluentes.
  • Resolução nº 396: classifica e estabelece diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas.
  • Resolução nº 430: altera parcialmente e complementa a Resolução nº 357, determinando condições e padrões de lançamento de efluentes sem comprometer a saúde e o bem-estar das pessoas e o equilíbrio ecológico aquático.

Além dessas diretrizes, a Agência Nacional de Águas (ANA), órgão governamental responsável por monitorar as condições das águas superficiais e subterrâneas do país, estabeleceu o Índice de Qualidade das Águas (IQA), um indicador qualitativo que avalia a qualidade da água para o abastecimento público.

A ANA também lançou, em 2013, a Rede Nacional de Monitoramento de Qualidade da Água (RNQA), que busca estabelecer uma padronização nacional e estimular a cooperação entre os operadores das redes de monitoramento.

Qualidade da água tratada

Também existem parâmetros de avaliação especiais para as águas tratadas originadas de sistemas e soluções alternativas de abastecimento.

O Ministério da Saúde brasileiro, por meio do Anexo XX da Portaria de Consolidação nº 5, define procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, eliminando possíveis riscos à saúde da população.

Como é feito o tratamento da água?

Geralmente, para eliminar componentes que podem ser prejudiciais para a saúde humana, a água precisa passar por uma Estação de Tratamento de Água (ETA) antes de ir para as redes de distribuição. Apenas no caso de poços subterrâneos, a adição de cloro já é suficiente para proporcionar o tratamento.

Na ETA, uma série de etapas com diferentes procedimentos são realizados, o que possibilita a obtenção de água potável a partir da água bruta.

Nem sempre todos eles são necessários, e a estrutura do tratamento é moldada conforme a qualidade dos mananciais. Conheça melhor essas etapas e os principais produtos utilizados em cada processo.

Pré-cloração

A primeira etapa consiste na adição de cloro à água que acabou de chegar na ETA. Isso ajuda a eliminar microrganismos, matéria orgânica e metais pesados.

Pré-alcalinização

Se a água estiver muito ácida, ocorre a adição de cal ou soda cáustica. Por serem básicas, essas substâncias ajudam a regular o pH da água, que deve estar entre 6,0 e 9,5, caso seja destinada para o consumo humano.

Coagulação

Essa etapa conta com a adição de um agente coagulante, que pode ser o sulfato de alumínio ou o cloreto férrico. Depois, a água é agitada para facilitar a aglomeração das impurezas suspensas.

Floculação

À medida que a água é movimentada, as partículas de impureza se aglomeram e passam a formar flocos. Para auxiliar esse processo, pode ocorrer a adição de um polímero, com o objetivo de promover o aumento do tamanho dos flocos e facilitar a sua separação.

Sedimentação

Nessa etapa, também chamada de decantação, a água é colocada em grandes tanques. Por serem mais densos, os flocos formados anteriormente se depositam no fundo e podem ser removidos.

Filtração

Nessa etapa, a água passa por filtros, que podem ser compostos por carvão mineral antracito, pedras e areia. Assim, são descartadas impurezas menores, que não foram eliminadas na sedimentação.

Pós-alcalinização

É necessário conferir o pH da água para saber se é preciso fazer alguma correção. Essa é uma maneira eficiente para evitar a corrosão e a incrustação das tubulações das redes de distribuição.

Desinfecção

Mesmo após todos esses processos, a água em tratamento ainda pode estar contaminada com vírus e bactérias causadores doenças.

Logo, com o objetivo de eliminar esses microrganismos patogênicos, o cloro ou o hipoclorito de sódio são adicionados à água na saída da ETA.

Fluoretação

Por fim, pode ou não ocorrer a adição de flúor na água tratada. Exemplos de produtos químicos utilizados nesse processo são o fluossilicato de sódio e ácido fluossilícico.

Essa etapa não é obrigatória em todos os estados brasileiros e sua função está relacionada com a prevenção do surgimento de cáries dentárias.

Quais são os parâmetros de qualidade?

Parâmetros de qualidade são indicadores preestabelecidos, relacionados com características físicas, químicas e biológicas da água.

Segundo Evelise Segato, Mestre em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental e Gerente de Qualidade da BRK Ambiental, os principais fatores de avaliação são aqueles determinados pelo Anexo XX da Portaria de Consolidação nº 5, já citados anteriormente.

Segato também ressalta que alguns desses parâmetros de qualidade precisam ser monitorados com maior frequência.

Parâmetros físicos

  • Cor aparente: mede o grau de coloração da água. É uma característica estética, decorrente da existência de substâncias dissolvidas no líquido.
  • Turbidez: mede o nível de transparência da água e tem relação direta com a presença de partículas em suspensão.

Parâmetros químicos

  • Cloro livre: indica a quantidade de cloro, adicionado no processo de desinfecção da água, que está presente na rede de distribuição.
  • pH: o potencial hidrogeniônico mede qual é a concentração de íons H+ em uma solução. Essa característica indica se a água está ácida (pH baixo), neutra (pH = 7,0) ou alcalina (pH alto).
  • Fluoreto: a medição da concentração desse produto químico, que busca prevenir a cárie dentária.

Parâmetros biológicos

  • Coliformes totais (CT): são bactérias amplamente encontradas na natureza (água, solo, vegetação) e no intestino de animais homeotermos, popularmente conhecidos como animais de sangue quente.  A presença de CT na água não é indício imediato de risco à saúde, porém é um indicativo de contaminação.
  • Escherichia coli (E. coli): vivem exclusivamente no intestino do homem e de outros animais homeotérmicos. Assim, a presença de E. coli na água confirma a contaminação fecal e indica provável presença de microrganismos patogênicos.

Viu só como uma água aparentemente limpinha e sem odor pode enganar? Além de ter que passar por várias etapas de tratamento, a água apropriada para o consumo humano precisa ser frequentemente monitorada, pois tem que se enquadrar em todos os parâmetros estabelecidos.

Agora que você aprendeu informações valiosas sobre o monitoramento da qualidade da água, que tal compartilhar este conteúdo com seus amigos nas redes sociais? Vamos lá!

——–

Este texto foi redigido com base na entrevista feita com Evelise Segato, Gerente de Qualidade da BRK Ambiental.