Proteger os mananciais de água nunca foi tão importante para a manutenção da vida dos ecossistemas terrestres. Além das chuvas, o volume de água para os reservatórios que abastecem as cidades e as regiões rurais se originam dessas fontes.

Por isso, só há possibilidade de assegurar um desenvolvimento estável com a recuperação e a conservação da qualidade da água disponível. Logo, a responsabilidade pelo uso consciente da água e pela proteção dos mananciais é um dever de toda a sociedade.

Nesse sentido, buscar alternativas para recuperar os recursos hídricos e preservá-los é essencial à continuidade da vida na Terra. Confira, então, o que são mananciais, qual é a importância deles e como conter as principais ameaças à qualidade e à disponibilidade da água. Acompanhe!

O que são mananciais?

Também conhecido como “mina d’água”, “olho-d’água” ou “nascente”, um manancial é a fonte de água doce superficial ou subterrânea que pode ser usada para consumo doméstico após tratamento e para o desenvolvimento de atividades econômicas. Por isso, na atual conjuntura, a preservação desse bem natural é primordial, já que a água utilizada nas atividades industriais e agrícolas também depende dos mananciais.

São considerados mananciais corpos de água como rios, lagos, represas, lençóis freáticos e aquíferos.

Qual é a importância dos mananciais para a sociedade?

Os mananciais são os únicos locais em que a sociedade pode conseguir água para suas principais atividades e para sobrevivência. Logo, mantê-los em quantidade e qualidade adequadas é fundamental para o desenvolvimento, manutenção da saúde e o bem-estar social.

Nos últimos anos, o desequilíbrio ambiental resultante da ação antrópica (ou seja, ações do ser humano) impactou significativas mudanças que afetaram a disponibilização de água doce. Essa situação tem gerado grandes problemas — e isso, em caráter global.

Mesmo no Brasil, um país privilegiado com bacias hidrográficas e rios caudalosos como o Amazonas, a escassez e a gestão ineficiente na distribuição de água é preocupante. Por isso, sendo um recurso tão essencial à vida, exige-se uma mudança de postura quanto à preservação dos mananciais.

Atualmente, o governo e as entidades privadas procuram reduzir esses agravos por meio de diferentes alternativas. Entretanto, só haverá melhoria efetiva mediante a adequação de hábitos e de costumes em relação ao uso mais consciente da água.

Para minimizar a situação, investimentos em equipamentos de alta tecnologia têm sido amplamente utilizados na aplicação de recursos para tratamento da água. A gravidade dessa questão obriga o uso de sistemas cada vez mais complexos de adução em busca de novos mananciais.

Quais são as principais ameaças aos mananciais?

As práticas inadequadas de atividades humanas — e que resultam na exploração irresponsável do solo e da água — são os fatores que mais provocam a degradação das áreas de mananciais. Nesse contexto, elencamos as mais relevantes. Confira!

Poluição ambiental

A poluição excessiva do meio ambiente resulta, entre outras ações, da falta de infraestrutura de saneamento básico em grande parte do território nacional. A degradação ambiental provoca, ainda, processos erosivos sem controle e o assoreamento de rios e lagos.

A precariedade no manejo das águas das chuvas e a ineficiência na coleta e na destinação dos resíduos sólidos e líquidos também concorrem para piorar a qualidade da água proveniente dos mananciais.

Além disso, a contínua remoção da cobertura vegetal implica negativamente na qualidade do ar, pois desequilibra a composição dos gases atmosféricos e reduz os índices pluviométricos em algumas regiões.

Atividades industriais

Desde o processo de industrialização brasileira nos anos 70 que as atividades industriais acarretam graves problemas aos recursos hídricos do país. Além da redução da disponibilidade da água, o excesso de dejetos despejados nos rios acentua bastante a poluição das águas, o que gera, entre outros impactos, a superexploração das fontes hídricas.

Com isso, o volume de água disponível para abastecimento residencial e industrial, sobretudo próximo aos centros urbanos, torna-se cada vez mais escasso e de qualidade duvidosa.

Manejo inadequado do solo na agricultura

Os problemas relacionados ao manejo inadequado do solo durante as atividades na agricultura influenciam bastante a qualidade das fontes das águas. Muitos insumos agrícolas têm um elevado potencial de toxicidade e ainda aumentam o nível de impermeabilidade do solo.

Com a chuva, o excesso de adubos nitrogenados e agrotóxicos são levados para os rios e lagos, contaminando-os. Como o Brasil é um país dependente da agroexportação, a ampliação da fronteira agrícola impacta consideravelmente a qualidade e a quantidade das fontes das águas.

Ainda que a água seja um recurso renovável — mediante o ciclo hidrológico —, as práticas agrícolas são tão devastadoras que competem com os processos naturais da sequência desse ciclo.

Atividades como a derrubada das matas desregulam a evapotranspiração e comprometem a dinâmica natural do retorno da água ao ambiente. Infelizmente, muitas empresas agrícolas burlam a legislação e nem se preocupam com a magnitude das consequências, já que não são responsabilizadas por esses atos.

Descarte incorreto de lixo

No Brasil e no mundo, a ineficiência no descarte do lixo é extremamente preocupante, já que o destino final dos resíduos sólidos são, quase sempre, os rios e córregos.

O chorume resultante da decomposição dos dejetos nos lixões a céu aberto se infiltra no solo e alcança as camadas superficiais das fontes das águas. A ausência de aterros sanitários e de áreas adequadas para recebimento de resíduos recicláveis também concorre para acentuar essa problemática.

Além do mais, é possível verificar, também, o impacto gerado pela falta de conscientização da sociedade quanto à forma de coleta e de acondicionamento do lixo. Se houvesse mais responsabilidade quanto a essas práticas, muitas dessas questões seriam amenizadas.

Esgoto sem tratamento

O desenvolvimento urbano sem planejamento é uma das maiores causas da destruição dos mananciais. As moradias clandestinas e sem nenhuma infraestrutura de saneamento contribuem bastante para elevar a complexidade da escassez e da qualidade da água nas zonas urbanas.

O esgoto sem tratamento acaba atingindo os mananciais e elevando os índices de contaminação da água. Todo o tipo de impurezas decorrentes dos dejetos biológicos — principalmente coliformes fecais — tem como destino final as fontes das águas.

Assim, não apenas a qualidade, mas também a possibilidade de uso dessas águas fica extremamente prejudicada. Nessa conjectura, é necessário que as autoridades governamentais e a inciativa privada unam-se em prol da preservação dos mananciais.

Para alcançar resultados mais expressivos, a participação da sociedade é primordial. Veja, no próximo tópico, como o exercício consciente da cidadania pode fazer diferença para a proteção dos mananciais.

Como a população pode ajudar a preservar os mananciais?

Zelar pelo uso racional dos recursos naturais é, sem dúvida, um dever de todos. Às vezes, atitudes simples podem ser fundamentais. Desenvolver o hábito de captação da água da chuva para uso doméstico e priorizar outras práticas de reúso são exemplos de ações sustentáveis de grande relevância.

Diante disso, é necessário buscar alternativas que simbolizem uma saída urgente para evitar os impactos da degradação dos recursos hídricos sobre a saúde, o ambiente e o desenvolvimento econômico.

Pressionar, mais ativamente, as autoridades para a criação de políticas públicas mais coercitivas em relação ao cumprimento da legislação ambiental pode representar soluções, nem que sejam em longo prazo.

Como parcela mais afetada pela escassez de água, a população precisa se conscientizar quanto à responsabilidade pela sustentabilidade das fontes hídricas. Para mudanças mais significativas no atual cenário, a participação coletiva na preservação dos mananciais e na qualidade da água é essencial.

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Este texto foi redigido com base na entrevista realizada com Felipe Mangili Lara, Supervisor de Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente na BRK Ambiental.